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terça-feira, 5 de março de 2024

Ekôa Park, um parque de experiências ecológicas

 





Como, em seis anos, uma área de Mata Atlântica inutilizada no litoral do Paraná virou referência em turismo de natureza, práticas de conservação do Bioma e educação ambiental para escolas e empresas?

Nesse período, quase oito mil pessoas, mais de uma centena de escolas, cerca de quatro mil alunos, e mais de 3.500 pessoas ligadas a 90 empresas já foram sensibilizadas pelas ações desenvolvidas no Ekôa Park

 Dia 03 de março de 2024, o Ekôa Park, um parque de experiências ecológicas localizado em Morretes, no litoral do Paraná, completa seis anos de existência e atuação em prol da conservação da Mata Atlântica. O Ekôa foi criado em 2015, mas o início de suas operações para o público ocorreu em 2018.

O parque fica em uma área de 238 hectares de floresta, localizado dentro da maior faixa contínua do Bioma no Brasil, conhecida como Grande Reserva Mata Atlântica. Esse território reúne três milhões de hectares de floresta nativa, localizado entre os Estados do Paraná, São Paulo e Santa Catarina. A área é um importante patrimônio natural, cultural e histórico e um valioso e singular destino de turismo de natureza, nacional e internacional.              

Na região onde o Ekôa está localizado, ainda é frequente – assim como em áreas protegidas por lei, mas sob a tutela privada – invasão de posseiros, caçadores, palmiteiros e de pessoas que, ilegalmente, promovem práticas de desmatamento irregular. Foi para afastar o território desse risco, e transformá-lo em um local catalisador de novas oportunidades e disseminador de conhecimento em prol da Mata Atlântica, que a empresária Tatiana Perim, idealizadora do Ekôa Park, criou o espaço, há seis anos.

No passado, a propriedade foi utilizada apenas como destino de veraneio da família. Em 2008, após o falecimento de um dos proprietários da área, ela foi colocada à venda e ficou, por anos, inutilizada. Foi então que Tatiana, filha do casal de proprietários, teve a ideia de custear o conjunto de ações necessárias para a manutenção da propriedade e a consequente proteção da floresta. Para ela, a venda da propriedade poderia transformar o local em uma área de agricultura predatória, ocupação irregular e até em vítima da especulação imobiliária, práticas que ainda ocorrem na região. Em viagens internacionais a trabalho ou turismo, Tatiana já havia conhecido exemplos de locais em outros países do mundo que souberam utilizar com excelência os ambientes naturais e estimular a conservação e práticas do turismo de natureza. E decidiu aplicar as inspirações na concepção do Ekôa.

“Sempre admirei a beleza da região. Morretes é muito especial. Reúne cenários naturais únicos, uma rica história e uma cultura lindíssima. E esta propriedade é realmente privilegiada. Sua localização proporciona a visualização de toda a cadeia de montanhas: Conjunto Marumbi, Serra da Graciosa, Ibitiraquire e o imponente Morro do Sete. Era preciso conservar essa essência”, recorda a empresária.

Desde então, o Ekôa Park tornou-se um destino de educação, sensibilização e conscientização para todas as pessoas que o conhecem. As práticas desenvolvidas no espaço buscam transformar a realidade social, econômica e ecológica da região, por meio da oferta de conhecimento e tecnologias de uso responsável dos recursos naturais existentes. “Por meio da educação, da sensibilização e da conscientização para a importância do patrimônio natural, elaboramos atividades que divertem, envolvem e transformam tanto o olhar no nosso visitante, quanto da comunidade local, que passa a compreender o valor do turismo regenerativo e das práticas do que chamamos de ‘produção de natureza’”, explica Tatiana.

A empresária também recorda que Ekôa, em tupi-guarani, significa “morada”. Vem também de “ecoar”. “Queremos propagar informações sobre a natureza, a sustentabilidade e o meio ambiente”, diz ela. A escolha do nome ainda derivou da palavra “ecologia”, originária do grego: oikos (casa) e logia (ciência). “O Ekôa é um ambiente inteiramente diferente. Suas riquezas não estão somente na beleza das montanhas, na exuberância da floresta ou na diversidade de espécies da fauna e da flora, mas, principalmente, em seu posicionamento de ‘Encontre sua Natureza’, que promove a conexão entre as pessoas e o meio ambiente, e o mundo moderno com o natural, encantando por meio de experiências únicas que envolvem arte, entretenimento, trilhas imersivas, atividades de aventura, oficinas e cursos”, diz Tatiana.

 

Transformação em números e promoção da educação ambiental

Em seis anos de existência, o espaço já recebeu quase oito mil pessoas, mais de uma centena de escolas, cerca de quatro mil alunos, e mais de 3.500 pessoas ligadas a 90 empresas com atuação em diferentes estados do Brasil. Todas foram sensibilizadas pelas ações desenvolvidas no local. 

No caso das ações envolvendo a educação para a conservação, dois colégios particulares de Curitiba propõe que seus alunos estudem de maneira transversal (envolvendo disciplinas de Artes, Ciência, Português, Geografia, História e Matemática) vários aspectos do parque, aliando as diferentes áreas do conhecimento com informações sobre conservação ambiental. “Esse aprendizado é imensurável e transcende o ambiente da sala de aula, já que os alunos levam para casa, e para seus familiares, novos conhecimentos e hábitos aprendidos na prática”, destaca Tatiana. Os alunos também chegam a aproveitar três dias inteiros imersos em todas as áreas, oficinas e atividades que o parque oferece.

Mantendo a preocupação social, o Ekôa recebe anualmente alunos da rede pública municipal de Morretes de áreas rurais afastadas, para que essas crianças, que, muitas vezes, estão em situação de vulnerabilidade, também tenham direito de viver experiências que as ensinem sobre as características do Bioma em que estão inseridas, sobre os conceitos relacionados aos seres vivos que nele vivem, e sobre a importância do uso de tecnologias sustentáveis e de baixo impacto para a natureza.

Em 2022, o parque promoveu um dia de diversas atividades ecológicas extracurriculares a mais de 125 alunos do ensino fundamental de diversas regiões rurais de Morretes no Programa “Bom Cidadão”. O espaço recebeu crianças da Escola Municipal Professora Desauda Bosco da Costa Pinto, que ganhou uma contribuição pedagógica, abrangendo as mais variadas disciplinas e áreas do saber. Foram oito horas de muitas atividades, confraternização e dedicação, com suporte de monitores e especialistas do Ekôa. As crianças aproveitaram toda a estrutura do espaço, incluindo alimentação, e uma programação rica, criativa e que promoveu um amplo aprendizado. O projeto foi uma parceria entre a iniciativa privada e o poder público, atribuído ao Decreto n.º 34 de 10/02/2021, que regulamenta o programa, apoiando projetos comprometidos com o bem-estar social e o desenvolvimento cultural de Morretes. As equipes da Secretaria Municipal de Educação e Esporte da cidade e da escola participante relataram que as atividades extracurriculares de campo foram um mecanismo facilitador no processo de ensino-aprendizagem. "O dia de campo no Ekôa a partir da inciativa ‘Encontre sua Natureza’, foi um marco na retomada das aulas presenciais depois da pandemia, e na socialização dos alunos”, disse Adriana Assumpção, secretária de Educação do município.

Todos os moradores de Morretes e Antonina, assim como estudantes, idosos, professores da rede de ensino pública ou privada, doadores de sangue, pessoas com deficiência e aniversariantes do mês, pagam metade do valor do ingresso para aproveitar as atividades oferecidas pelo parque.

 

Quando a natureza contribui para a solução de problemas humanos – e empresariais

Além dos trabalhos desenvolvidos com as escolas, o parque conta com um programa especializado em integração empresarial, por meio de atividades capazes de fortalecer as relações entre pessoas de um mesmo grupo ou equipe.

O Ekôa vem sendo cada vez mais procurado por empresas de vários segmentos para vivências de desenvolvimento profissional. E os conceitos da chamada “biomimética” enriquecem a agenda pensada pelo espaço para propor às organizações diferentes dinâmicas e atividades inspiradas nos ensinamentos da natureza.

O termo “biomimética” vem do grego “bio” (vida) e “mimeis” (imitação), e faz referência ao uso da lógica da interação entre os seres vivos e das dinâmicas da natureza aplicadas a diferentes tipos de negócios. A ideia vem crescendo no mundo, e já chega com força também ao Brasil. O conceito se popularizou mais nos anos 1990, quando, ao lançar o livro Biomimética: Inovação Inspirada pela Natureza, em 1997 nos Estados Unidos e em 2003 no Brasil, Janine Benyus, bióloga americana foi responsável por propagar a ciência que se desdobra em múltiplas aplicações. Ela foi uma das fundadoras do Biomimicry Institute, em Montana, EUA.

Tatiana fez um curso sobre o assunto em 2019. Depois, uma especialização em biomimética e leu diversos livros e artigos sobre o tema. “Utilizei muito uma ferramenta que ganhou diversos prêmios chamada ‘Ask Nature’, que reúne modelos e sistemas do mundo natural para nos inspirarmos a ‘biologizar’ e resolver problemas humanos. Meu próximo objetivo é fazer um Mestrado em biomimética”, projeta Tatiana. “Cada momento que pensamos para as empresas é único e elaborado para a necessidade de cada uma, considerando seus negócios, expectativas e áreas de atuação”, diz ela.

A programação pode incluir dinâmicas inspiradas na biomimética, atividades de sustentabilidade ou de aventura, de acordo com os objetivos da empresa. “Adaptamos a agenda às preferências das empresas. A maioria dos nossos eventos corporativos é voltada para o desenvolvimento de equipes, com uma programação intensa e objetivos claros para trabalhar integração, colaboração, inovação, comunicação e/ou liderança”, completa.

Marlon Fonsaka, diretor da Renault Supply LATAM, falou sobre a experiência depois de um dia de vivências no local. “Minha principal preocupação sempre foi pensar em como trazer ao mundo corporativo esse link com a natureza e o mundo natural. Quando cheguei ao Ekôa, fiquei impressionado com a conexão de todas as pessoas da equipe do espaço com os conceitos apresentados. Meu time ficou encantado em perceber como tudo estava realmente conectado. Então, com certeza, nossa vivência corporativa atingiu tudo aquilo que eu esperava. Realmente nos conectou ao ecossistema e com um objetivo de inovação nos negócios. Também tivemos muitos insights inspirados pelas práticas e dinâmicas da natureza. Foi um benchmarking fantástico. Perceber como a natureza funciona há milhões de anos perfeitamente, sem gerar resíduos, foi incrível. Na natureza, tudo se recicla, tudo se renova. E eu acredito que podemos fazer bastante dentro da empresa com tudo o que aprendemos no Ekôa”, disse o executivo.

 Além da Renault, empresas como o O Boticário, Volvo, EBANX, SESC, SEBRAE, entre outras, também já participaram das dinâmicas desenvolvidas a partir dos conceitos da biomimética, ou realizaram eventos corporativos no local. Tudo em busca da renovação contínua com o aprendizado a partir da genialidade da natureza e obtenção da maior eficiência dos processos corporativos, seja na comunicação, ou na integração das equipes das empresas.

 Programa Salvando as Árvores da Extinção

O Ekôa também participa desde 2018 de um projeto que busca mitigar o problema do desmatamento da Mata Atlântica, chamado “Salvando Árvores da Extinção” (Un-Endangered Forest, em inglês). Ele é resultado de uma parceria estabelecida entre Porto Morretes e Novo Fogo com o Instituto Hórus e o Ekôa Park e tem por objetivo aumentar a presença de árvores raras ou ameaçadas de extinção na paisagem litorânea, na Floresta Atlântica, com foco em espécies que foram intensamente exploradas no passado, principalmente, para uso madeireiro.

As florestas do Ekôa são utilizadas como local para os especialistas encontrarem frutos e sementes das espécies matrizes, ricas em material genético. E as sementes são beneficiadas e cultivadas no viveiro do local, até que as mudas estejam prontas para serem doadas, plantadas e devolvidas à floresta.

Do Ekôa, são distribuídas para uma Rede de Plantadores – proprietários de áreas particulares da região – que têm interesse em receber e cuidar dessas espécies raras para plantio. Eles recebem todas as mudas gratuitamente e, com isso, colaboram com a reposição das espécies na floresta, com o enriquecimento da Mata Atlântica e com a propagação de informações relevantes sobre espécies raras, que estão na lista vermelha da IUCN, a União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais. Ao aceitar receber as mudas, os proprietários recebem informações sobre cada espécie e orientações sobre como e onde realizar e acompanhar o plantio.

“Trata-se de uma forma de dar mais visibilidade a essas árvores preciosas, ‘madeiras de lei’ muito exploradas no passado e que são pouco conhecidas do público em geral. O projeto também gera uma rica bibliografia sobre essas espécies ameaçadas”, diz Tatiana, que ainda complementa. “A preservação e a não exploração dessa grande área faz com que possamos manter incontáveis plantas e animais em seu habitat natural. Dentre os diversos benefícios da conservação fornecidos, estão o sequestro de carbono e a devolução de oxigênio à atmosfera, a preservação de rios e nascentes e a manutenção da biodiversidade de fauna que, por sua vez, segue dispersando sementes e reciclando a floresta”.

Até agora, já foram marcadas no Ekôa 518 árvores matrizes, coletadas 29.592 sementes e distribuídas 3.847 mudas, cultivadas desde 2018 no local. Além disso, mais de duas mil mudas também já foram registradas pela rede de plantadores no aplicativo disponível para eles, que garante o controle desses plantios. Fazem parte da rede 91 plantadores, com expectativa de crescimento anual. E são 50 as espécies raras, endêmicas ou ameaçadas de extinção focos do programa.

 

Programa Grandes Mamíferos

Desde 2021, o Ekôa também participa como membro da rede de monitoramento do Programa “Grandes Mamíferos da Serra do Mar”. O método de monitoramento mais indicado no levantamento de mamíferos de médio e grande porte são as chamadas “armadilhas fotográficas” e também a observação de rastros, pegadas. Eles não são invasivos e têm o potencial de registrar várias espécies.

Por meio dessa parceria entre o Ekôa e o programa, já foram registradas diversas espécies no parque, incluindo Tatus, Tamanduás, Cuícas e alguns mamíferos como Onça-parda, Macuco, Jaguatirica e o Mão-pelada – um dos carnívoros neotropicais mais pouco conhecidos, de pelagem acinzentada, e que pode chegar a um metro de comprimento. Ele possui uma máscara de pelos escuros ao redor dos olhos. No local, também já foi registrado o Veado-mateiro-pequeno, espécie endêmica que só ocorre na região da Serra do Mar e em alguns trechos de Santa Catarina, considerada pela IUCN como Vulnerável. Além da fragmentação e perda de hábitat, a espécie é ameaçada pela caça indiscriminada, mas o local ainda é um espaço de sobrevivência para essas e tantas outras importantes espécies da Mata Atlântica.

Roberto Fusco, coordenador do programa, diz que a parceria entre o programa e o Ekôa é altamente valiosa para ambas as partes. “Com a atuação em conjunto, a integração de esforços e uma agenda comum de monitoramento, só temos a ganhar, mas, principalmente, ganha a vida selvagem”, diz.

 

Propostas atuais e planos futuros

“Esses seis anos de existência representam ao Ekôa um aprendizado profundo com a natureza, com as comunidades locais, as intemperes, que também temos de enfrentar, e com os atores dos setores público e privado. Nesse tempo, aprimoramos nossos programas ambientais, capacitamos e formamos colaboradores, desenvolvemos novas atividades, firmamos parcerias importantes e expandimos nossa rede de fornecedores locais. Conseguimos reconhecimento do público, recebemos no final de 2023 a Menção Honrosa do Prêmio Braztoa de Sustentabilidade – uma importante referência no reconhecimento de boas práticas em Turismo de Natureza no Brasil –, e continuamos em busca de certificações e premiações”, projeta Tatiana.

Ela também destaca que trabalha para que o espaço se torne referência em educação ambiental, seja por meio de atividades imersivas, cursos e experiências ou de uma gastronomia regional, à base de plantas e boas práticas ecológicas. “Estamos lançando um novo cardápio inspirado na biodiversidade da Floresta Atlântica, produzindo insumos em sistemas agroflorestais e fortalecendo a agricultura familiar com parceiros locais. Buscamos a integração total com o Bioma, pois, por meio dele, nos inspiramos para desenvolver novos conteúdos sempre baseados na genialidade da natureza, que é nosso modelo, nossa mentora e a melhor medida. Nosso maior objetivo é nos tornarmos um centro de excelência em imersões corporativas, integração de equipes e desenvolvimento profissional, utilizando a biomimética como metodologia para inspirar e desenvolver uma gestão mais inteligente das empresas a partir de um pensamento ecológico”, conclui Tatiana.

 Claudia Guadagnin, da Assessoria de Imprensa do Ekôa Park.

 

Confira algumas imagens: 








 

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